Depressão: Entenda as Raízes, Sintomas e Como Combatê-la
- Isabela Leal Psicanalista
- 16 de jul. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 17 de jul. de 2024

A depressão é um dos grandes desafios de saúde mental do nosso tempo, afetando cada vez mais pessoas. Mas o que está causando esse aumento? E como podemos enfrentar esse problema de forma eficaz?
Raízes da Depressão
Para entender a depressão, é importante voltarmos o olhar para o passado. A depressão, ou melancolia, como era chamada por Freud, sempre esteve presente na humanidade. Freud descrevia a melancolia como uma forma de luto patológico, onde a pessoa não conseguia superar a perda de um objeto de desejo, resultando em uma profunda tristeza, numa perda de interesse pelo mundo e sentimento de desesperança.
Com o tempo, essa compreensão evoluiu. A depressão passou a ser vista como uma condição complexa, influenciada por fatores internos e externos. Esses fatores incluem a genética, o ambiente social e as experiências pessoais.
A Atualidade da Depressão
Hoje, a depressão está intimamente ligada às mudanças sociais e econômicas. Desde a década de 1970, com a ascensão do neoliberalismo, nossas vidas foram profundamente impactadas. O neoliberalismo enfatiza a liberdade individual e a competição, muitas vezes em detrimento da coletividade e do bem-estar social.
A globalização e o desenvolvimento tecnológico acelerado trouxeram muitos benefícios, mas também contribuíram para a precarização do trabalho e da vida cotidiana. A internet, que se tornou dominante no novo milênio, molda nossos desejos e emoções de maneiras complexas, criando um ambiente hostil onde as expectativas são extremamente elevadas e muitas vezes inalcançáveis.
Essas pressões e a constante necessidade de comparação com os outros resultam em sentimentos de inadequação, autocrítica, culpa e baixa autoestima — todos, fatores que contribuem para a depressão.
Expressões da Depressão: Como Ela se Manifesta
A depressão pode se manifestar de várias formas. Alguns dos sintomas mais comuns incluem:
Tristeza profunda: sentimento persistente de tristeza, vazio ou desesperança.
Perda de interesse: desinteresse por atividades que antes eram prazerosas.
Fadiga: Sentimento constante de cansaço e falta de energia.
Problemas de sono: insônia ou sono excessivo.
Alterações no apetite: perda ou ganho de peso significativo.
Dificuldade de concentração: problemas para pensar claramente ou tomar decisões.
Sentimentos de inutilidade ou culpa: autoestima baixa e sentimento de culpa excessivo.
Pensamentos de morte ou suicídio: pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio.
Falta de perspectiva: incapacidade de imaginar um futuro positivo ou de acreditar que as coisas possam melhorar. Dificuldade em encontrar objetivos e razões para a existência.
Combatendo a Depressão: O Papel da Psicanálise
A psicanálise pode ser uma grande aliada no combate à depressão. Ela permite explorar os aspectos mais profundos da psique, ajudando a entender as causas ocultas dos sentimentos depressivos. Através da qual, é possível:

Livre associação: uma técnica fundamental onde o paciente fala livremente o que vem à mente, permitindo que os pensamentos inconscientes venham à tona.
Escuta do psicanalista: a escuta do psicanalista cria um espaço onde o paciente pode se expressar sem julgamentos, enquanto o psicanalista oferece uma escuta atenta e compreensiva.
Compreender os conflitos internos: identificar e trabalhar os conflitos inconscientes que podem estar contribuindo para a depressão.
Explorar as experiências passadas: examinar como experiências passadas influenciam o estado emocional.
Desenvolver novas perspectivas: auxiliar o indivíduo a desenvolver uma nova compreensão de si mesmo e do mundo ao seu redor.
Promover o autoconhecimento: aprofundar o entendimento sobre os próprios sentimentos e comportamentos, permitindo um maior controle sobre a vida emocional.
Ainda, em alguns casos, pode ser importante integrar a terapia psicanalítica com o trabalho de outros profissionais. Se o uso de medicação for indicado por outro profissional, é crucial que este uso seja acompanhado pela terapia, garantindo um tratamento integral e mais eficaz.
E O Que Fazer Agora?


.png)